"Não fostes vós que me escolhestes, mas eu vos escolhi e vos constituí para que vades e produzais fruto, e o vosso fruto permaneça. Eu assim vos constituí, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vos conceda."João 15,16

Seguidores

Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Reflexões. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Santíssima Trindade ( Reflexão )

 Hoje, de um modo especial, celebramos Deus. Mas quem é Deus? Como explicá-lo? Como defini-lo? Como conhecê-lo?



Nenhuma pergunta sobre Deus pode ser respondida por nós humanos. Deus nos supera!
Temos noção de quem Ele é, mas não conseguimos defini-lo. É impossível! Ele é a eterna surpresa. Nosso Deus não é o Deus dos filósofos, mas é o Pai de Jesus Cristo, é o próprio Cristo, é o Espírito de Amor.
Para conhecê-lo deveremos abrir a Sagrada Escritura, principalmente o Novo Testamento, e ver o que Jesus, o Verbo Encarnado, nos diz.
A Sabedoria,leitura do livro dos Provérbios (8,22-31) , afirma que ela é o próprio projeto de Deus que cria um mundo justo. Com o projeto da redenção, para sanar o pecado de Adão, o Verbo se encarnou e apareceu no meio do mundo como a Sabedoria de Deus.
Quando da ascensão de Jesus, sua subida aos céus foi um ganho para os discípulos, pois permitiu que o Senhor Ressuscitado estivesse presente em toda parte. O Senhor fala agora através do Espírito, do Paráclito, que une, com sua presença, o passado e o presente.
A  leitura, extraída da Carta de  São Paulo aos Romanos ( 5,1-5 ), nos fala que o “amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” Esse amor ocupa o primeiro lugar, deixando justificação e justiça para o segundo plano.
O Espírito, solidarizando-se com Jesus, age dentro de nós, construindo uma vida nova.
Ele nos proporciona duas colunas, a escuta e a disponibilidade, que nos ajudam a assumirmos o projeto de Deus em nossa vida.

Portanto, crer e adorar a Trindade é deixá-la habitar e agir em nossa vida, é colocar em prática a palavra de Paulo: “Eu vivo, mas não sou eu, é Cristo que vive em mim.” (Gal 2, 20) - (Reflexão do Padre Cesar Augusto dos Santos)
Shalom!

Fonte : Rádio Vaticano

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

PERDOAR: dom e caminho!

Ao ensinar a oração do Pai-Nosso aos discípulos, o único artigo que Jesus comenta logo de imediato, segundo o evangelista Mateus, é aquele que se refere ao perdão: “Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, vosso Pai celeste também vos perdoará. Mas, se não perdoardes aos homens, tampouco vosso Pai vos perdoará”
 (Mt 6, 13-14).


O PERDÃO COMO DOM
O perdão liberta o coração, supera as barreiras que nos distanciam uns dos outros, abre a porta para que entre a paz. É a força necessária para reconciliar não só as pessoas, mas também as nações. O perdão é uma consequência do amor. À medida que a experiência do amor vai se tornando mais plena no interior da pessoa, o coração é levado a perdoar. E por que perdoamos? Porque primeiramente fomos gratuitamente perdoados por Deus.
No entanto, é preciso olhar o perdão não como um imperativo dirigido à alma, do tipo: “Você TEM que perdoar!” Uma imposição dita, desta forma, por alguém ou pela própria pessoa, é totalmente inútil e até falseadora do caminho para o perdão. Assim, como o amor, o perdão não pode ser exigido por norma. Ele é dádiva e não lei! Esse, aliás é o sentido etimológico de perdão-perdoar: o dom levado à perfeição; além do dom (per-donum, per-donare). Em última análise, só Deus pode perdoar, como o único que está além de todos os dons e do maior dom, o Amor. Ele é o próprio Amor. Por isso, mais do que perdoar, nós podemos nos abrir ao próprio perdão de Deus, agindo em nós, por nossa mediação.
Nesta abertura, o perdão aparece, então, como uma decisão da vontade e não como uma emoção. A pessoa, no exercício da sua liberdade, tocada pela Graça, perdoa. A falta de perdão constitui-se em pecado, pois é um fechamento à graça. É preciso ainda não confundir mágoa com falta de perdão. A mágoa é a dor da alma que foi ferida. É, portanto, uma ferida a ser cicatrizada, não se constituindo em pecado, como tal. Entretanto, aninhar mágoas no coração, emperra o crescimento da pessoa e a adoenta. Também as mágoas precisam ser tratadas.
Não fique repisando os motivos que você tem para ficar magoado; isso só fará perdurar a dor que você sentiu por algo acontecido. Em Cristo Jesus, você é livre não só para perdoar, mas também para superar as mágoas. Coloque-se, pois, a caminho. O auxílio da Graça Divina não lhe faltará.
Se você, todavia, está encontrando dificuldades em perdoar, peça a Jesus esta graça. Aquele que na cruz perdoou o pecador arrependido, perdoará os seus pecados e lhe dará forças para exercer o perdão. É possível! Não duvide! Entregue-se a esta maravilhosa e libertadora experiência.
Sendo o perdão um caminho, é preciso – ao acolher o dom – dar os passos para que ele aconteça como um processo libertador da alma. A perspectiva apresentada abaixo pode assustar alguns leitores, mas é um método concreto para uma abertura humana à graça divina de perdoar.


O PERDÃO COMO CAMINHO: NOVE PASSOS PARA PERDOAR

1.    Saiba exatamente como você se sente sobre o que ocorreu e seja capaz de expressar o que há de errado na situação. Então, relate a sua experiência a umas duas pessoas de confiança.

2.    Comprometa-se consigo mesmo a fazer o que for preciso para se sentir melhor. O ato de perdoar é para você e ninguém mais. Ninguém mais precisa saber de sua decisão.

3.    Entenda seu objetivo. Perdoar não significa necessariamente reconciliar-se com a pessoa que o perturbou, nem se tornar cúmplice dela. O que você procura é paz.

4.    Tenha uma perspectiva correta dos acontecimentos. Reconheça que o seu aborrecimento vem dos sentimentos negativos e desconforto físico que você sofre agora, e não daquilo que o ofendeu ou agrediu dois minutos - ou dez anos - atrás.

5.    No momento em que você se sentir aflito, pratique técnicas de controle de estresse para atenuar os mecanismos de seu corpo.

6.    Desista de esperar, de outras pessoas ou de sua vida, aquilo que elas não escolheram dar a você. Reconheça as “regras não cobráveis” que você tem para sua saúde ou para o comportamento seu e dos outros. Lembre a si mesmo que você pode esperar saúde, amizade e prosperidade e se esforçar para consegui-los. Porém, você sofrerá se exigir que essas coisas aconteçam quando você não tem o poder de fazê-las acontecer.

7.    Coloque sua energia em tentar alcançar seus objetivos positivos por um meio que não seja através da experiência que o feriu. Em vez de reprisar mentalmente sua mágoa, procure outros caminhos para seus fins.

8.    Lembre-se de que uma vida bem vivida é a melhor “vingança”. Em vez de se concentrar nas suas mágoas – o que daria poder sobre você à pessoa que o magoou – aprenda a buscar o amor, a beleza e a bondade ao seu redor.

9.    Modifique a sua história de ressentimento de forma que ela o lembre da escolha heróica que é perdoar. Passe de vítima a herói na história que você contar.      

     
PARÁBOLA SOBRE A IMPORTÂNCIA DO PERDÃO

O pequeno Zeca entra em casa, após a aula, batendo forte os seus pés no assoalho da casa. Seu pai, que estava indo para o quintal para fazer alguns serviços na horta, ao ver aquilo chama o menino para uma conversa.
Zeca, de oito anos de idade, o acompanha desconfiado. Antes que seu pai dissesse alguma coisa, fala irritado:
- Pai, estou com muita raiva. O Juca não deveria ter feito isso comigo. Desejo tudo de ruim para ele.
Seu pai, um homem simples mas cheio de sabedoria, escuta calmamente o filho que continua a reclamar:
- O Juca me humilhou na frente dos meus amigos. Não aceito. Gostaria que ele ficasse doente sem poder ir à escola.
O pai escuta tudo calado enquanto caminha até um abrigo onde guardava um saco cheio de carvão. Levou o saco até o fundo do quintal e o menino o acompanhou calado.
Zeca vê o saco ser aberto e antes mesmo que ele pudesse fazer uma pergunta, o pai lhe propõe algo:
- Filho, faz de conta que aquela camisa branquinha que está secando no varal é o seu amiguinho Juca e cada pedaço de carvão é um mau pensamento seu endereçado a ele. Quero que você jogue todo o carvão do saco na camisa, até o último pedaço. Depois eu volto para ver como ficou.
O menino achou que seria uma brincadeira divertida e pôs mãos à obra. O varal com a camisa estava longe do menino e poucos pedaços acertavam o alvo.
Uma hora se passou e o menino terminou a tarefa. O pai que espiava tudo de longe, aproxima-se do menino e pergunta-lhe:
- Filho como está se sentindo agora? Estou cansado, mas estou alegre porque acertei muitos pedaços de carvão na camisa.
O pai olha para o menino, que fica sem entender a razão daquela brincadeira, e carinhoso lhe diz:
- Venha comigo até o meu quarto, quero lhe mostrar uma coisa.
O filho acompanha o pai até o quarto e é colocado na frente de um grande espelho onde pode ver seu corpo todo. Que susto! Só se conseguia enxergar seus dentes e os olhinhos.
O pai, então, lhe diz ternamente:
- Filho, você viu que a camisa quase não se sujou; mas, olhe só para você. O mal que desejamos aos outros é como o que lhe aconteceu. Por mais que possamos atrapalhar a vida de alguém com nossos pensamentos, a borra, os resíduos, a fuligem ficam sempre em nós mesmos.
                                                                                                               
(Autor desconhecido)



                                                   
   

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Meditando a oração do Pai-Nosso




Como posso dizer PAI-NOSSO...

Se não vejo todas as pessoas como meus verdadeiros irmãos.

Se eu penso somente em mim, não posso dizer Pai Nosso.

Tenho olhado todas as pessoas como meus verdadeiros irmãos? Até mesmo aqueles que me prejudicam? Ou só penso em mim? 

Como posso dizer QUE ESTAIS NO CÉU...

Se eu não acredito na vida eterna!

Se eu não acredito que Jesus está verdadeiramente vivo!

Tenho dado exemplos principalmente para meus filhos que realmente acredito na vida eterna e que Jesus está verdadeiramente vivo? Ou tenho me acomodado? Tenho esquecido que deixar de participar da Santa Missa para fazer qualquer outra coisa é negar que Jesus está vivo.

Como posso dizer SANTIFICADO SEJA O VOSSO NOME...

Se não procuro santificar a minha vida!

Se não procuro santificar a mim mesmo.

Tenho procurado santificar a minha vida? Tenho procurado santificar a vida de todos aqueles que convivem comigo? Tenho procurado santificar a minha família, minha esposa ou meu marido, meus filhos...? Ou tenho achado mais fácil me acomodar?

Como posso dizer VENHA A NÓS O VOSSO REINO...

Seu só penso em ter, mesmo que para isso tenha que passar outras pessoas para traz.

Tenho sido verdadeiramente honesto com todas as pessoas para poder dizer venha a nós o vosso reino? Ou tenho pensado só em ter?

Como posso dizer SEJA FEITA A VOSSA VONTADE ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU...

Se na maioria das vezes eu só penso na minha vontade, muitas das vezes sem olhar se estou ou não prejudicando meu irmão. Se eu nunca procuro fazer a vontade de Deus! Como posso dizer que seja feita a sua vontade?

Tenho procurado fazer de minha vida a vontade de Deus? Tenho sido humilde e realmente aceitado a vontade de Deus? Ou por qualquer motivo reclamo e às vezes até me revolto?

Como posso dizer O PÃO NOSSO DE CADA DIA NOS DAÍ HOJE...

Se eu quero o pão de hoje, o pão de amanhã, o pão de daqui um ano, o pão de sempre e ás vezes até o pão de meu irmão.

Tenho agradecido a Deus pelo pão de hoje, para que ele nunca me falte? Ou tenho procurado ganhar o pão de hoje, o pão de amanhã, o pão de daqui um ano ou quem sabe até o pão de sempre! Mesmo que para isso tenha que explorar o meu irmão mais fraco, às vezes até tirando o seu único pedaço de pão. Realmente tenho que pensar melhor quando digo "O pão nosso de cada dia nos daí hoje"

Como posso dizer PERDOAI-NOS AS NOSSAS OFENSAS, ASSIM COMO NÓS PERDOAMOS A QUEM NOS TEM OFENDIDO...

Se eu não sei perdoar! Se por qualquer motivo eu viro o rosto para meu irmão! Se por qualquer motivo eu fico sem falar com outras pessoas! Muitas das vezes não sei compreender até mesmo meus familiares.

Tenho perdoado a todos que me ofendem, que me magoam...? ou tenho sido um hipócrita em ter coragem de virar para Deus e pedir que Ele me perdoe como eu perdoo? Realmente tenho que prestar mais atenção quando estou rezando.

Como posso dizer NÃO NOS DEIXEIS CAIR EM TENTAÇÃO...

Se eu não faço a minha parte, se na maioria das vezes eu sempre procuro aquilo que me afasta de Deus e que me leva a pecar.

Tenho feito a minha parte, me afastando de lugares indevidos? Lugares que não serviriam de exemplos para meus filhos, fazendo coisas que um dia possa vir a me arrepender! Quando peço a Deus para não me deixar cair em tentação também tenho que fazer a minha parte e não ir ao encontro dela.

Como posso dizer LIVRAI-NOS DO MAL...

Se eu não fujo do pecado! Se muitas das vezes até vou ao encontro dele!

Tenho procurado fugir de todo tipo de mal, de tudo que leva a pecar? Ou tenho ido ao seu encontro? Tenho ensinado a meus filhos a fugir do pecado? Ou meus exemplos não são tão bons?

Como posso dizer AMÉM se não tenho feito a minha parte?

Oração

Senhor, que a partir de hoje, que a partir desse momento, eu possa nos meus momentos de oração, refletir mais sobre o que estou falando, pois Senhor eu quero realmente viver a oração que o seu filho nos ensinou. Que eu possa realmente te chamar de Pai, que eu possa Senhor fazer com que todos vejam que estais no céu e que eu santifique a minha vida para poder dizer santificado seja o vosso nome. Eu quero Senhor dizer venha a nós o vosso reino de coração, para que o Senhor reine dentro de mim e em toda minha vida. Para que eu Senhor, possa falar de coração sincero, que seja feita a Tua vontade assim na terra como no céu.

Que eu saiba louvar e agradecer todos os dias de minha vida, pelo pão que recebo e também pedir para que ele nunca falte na mesa de nenhum de meus irmãos. Que eu saiba Senhor perdoar o meu irmão de coração, assim como o Senhor nos perdoa, que eu procure sempre me afastar de todo tipo de tentação, para que o Senhor me livre de todo tipo mau.
AMÉM!


Fonte:http://www.catequisar.com.br/

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Opinião: Natal, qual o sentido?

por Rodrigo Szymanski
 - cocalcomunitario@gmail.com

Aproxima-se o natal e talvez surja a pergunta de qual o significado do Natal? E algumas coisas sobre o natal devem ficar claras. Papai Noel não existe é uma lenda criada pelo capitalismo para cada vez consumirmos mais e mais e mais... Primeira mentira do Papai Noel é sua vestimenta. Em pleno verão, de quase 40 graus, Papai Noel chega com roupas do Polo Norte? Cadê a cultura brasileira? Papai Noel personifica a imagem do consumo desnecessário e do rompimento de valores. Conheço famílias que financiam presentes para seus filhos e dizem “Papai Noel vai trazer um presente”, tirando assim todo pedagógico de entender que os pais sofrem, ralam, lutam para comprar aquele presente. Aquele presente não é algo mágico, entregue em noite de natal, é fruto do trabalho e dos esforços que deve ser exemplo para a criança valorizar o que se tem... Papai Noel cria uma cultura do descartável com isso, não agrega valor ao sentido de responsabilidade da criança.

Bom, Papai Noel não existe e o que sobra do natal? Sobra o que deveria ser único, o verdadeiro sentido, o Presépio! E não basta achar bonito os presépios, é necessário contemplar o sentido do presépio. Jesus, um menino frágil, filho de Maria e de José, subordinado as burocracias do estado vão a Belém (Belém significa a casa do Pão) se “recadastrar no censo de Herodes”. Lá não encontram hospitalidade e Jesus nasce em uma gruta, um estábulo, um lugar simples... Basta isso, o Menino que nasce da forma mais simples possível, assume um reinado diferente. Vejam Belém, que é a “casa do Pão”, é providencial, pois Jesus se faz pão e partilha. Outro fator é a perseguição de Jesus, crianças são mortas com o medo de um novo rei ter nascido... E talvez me perguntem qual o sentido disso tudo?

Temos dois projetos para vida e podemos assumir o presépio e seu divino sentido de humildade, de despojamento, de partilha e solidariedade, de amor e desprendimento e renuncia do dinheiro. Ou assumir o projeto de sociedade que Papai Noel representa.

Ainda é tempo de trocar os projetos e o presépio ser um modelo de sociedade.

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Pastoral Do Copo D’agua

Rebeca foi escolhida ao dar de beber aos camelos do servo de Isaque.(Gn 24,14-24)
A samaritana foi convertida por causa de um gole de água. (Jo 4,7)

Jesus provavelmente tinha sede quando pediu àquela mulher de outro povo, de outra religião e de outros costumes que lhe desse um pouco de água. Ela não negou, mas achou estranho que um homem judeu falasse com ela, que era samaritana. Ele e não ela estava transgredindo um costume. E daí? O mesmo homem que lhe pediu água e conversou longamente com ela, também colheu ( Mt 12,1-8) e curou em dia de sábado( Mt 12, 10-13) e quebrou diversas tradições que não faziam mais sentido, enquanto conservou as que ainda tinham sua razão de ser. Por isso disse que se ela soubesse quem ele era, sedenta como era de afeto, iria pedir da água que ele tinha.
A mulher já tivera cinco homens e estava no seu sexto companheiro. De conversa em conversa ele a convenceu, sem humilhá-la, sem ofender, sem diminuir, sem perder a gentileza. Ela podia ter seus pecados, mas era sincera. Falava a verdade e era boa de conversa. Mostrava franqueza, não mentiu e mostrou que sabia ouvir. Fanática ela não era!. Sabia ver valor nos outros. Por isso, foi possível dialogar.
Fanáticos, mentirosos e manipuladores que nunca sustentam suas promessas e que se acham os donos da situação, tornam difícil qualquer diálogo. Com Herodes Jesus ficou calado. Não havia verdade no rei( Lc 23,8-12). Com Pilatos, falou claro (Lc 23,1-7), com os fariseus teve debates intensos, mas com a samaritana foi amistoso, sincero e franco. Ela o fez por merecer. Abriu-lhe o coração.
A conversa foi longa e boa. Tão boa que ela deixou o cântaro lá no poço.(Jo 4,28) e foi buscar gente para conhecer Jesus. Aquilo, sim é que era conversar! Devia ser uma mulher bonita e com alguma liderança. Afinal, encantara seis homens e ali, no ato, trouxe muita gente até Jesus. É de se supor que tenha mudado de vida. Jesus não fazia o trabalho pela metade. Se alguém o acolhia, ele convertia. Forçar, nunca! Ela mostrou-se receptiva e Jesus a recebeu no Reino..
E pensar que tudo começou com um pouco de água à beira de um poço… A água e a conversa mudaram aquela mulher influente. Jesus diria mais tarde que um copo de água dado em seu nome não ficaria sem recompensa. No caso dela, não ficou!
Aprendamos com Jesus a lidar com pessoas de comportamento diferente do nosso,.e com gente que crê e pensa de maneira diferente da nossa. Ternura, franqueza, diálogo, gentileza! Um bom lembrete aos que desejam participar da pastoral da acolhida e da visitação. Jesus começou pedindo ajuda; só depois ofereceu a dele! Teríamos a mesma humildade ?…
Pe. Zezinho scj

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

O Lenço Dobrado (João 20:7)



Por que Jesus dobrou o lenço que cobria sua cabeça no sepulcro depois de sua ressurreição?
Poucas pessoas já haviam detido a atenção a esse detalhe.

Em João 20:7 - nos diz que o lenço que fora colocado sobre a face de Jesus, não foi apenas
deixado de lado, como os lençóis no túmulo.

A Bíblia reserva um versículo inteiro para nos dizer que o lenço foi dobrado cuidadosamente
e colocado na cabeceira do túmulo de pedra.

“ Bem cedo, na manhã de domingo, Maria Madalena foi à tumba e descobriu que a pedra da entrada
havia sido removida. Ela então correu ao encontro de Simão Pedro e outro discípulo... aquele que
Jesus tanto amara {João} e disse-lhe ela:
- "Tiraram o corpo do Senhor e eu não sei para onde o levaram."
e o outro discípulo correram ao túmulo para ver... O outro discípulo passou à frente de Pedro
e lá chegou primeiro.
Ele parou e observou os lençóis, mas ele não entrou no túmulo. Simão Pedro chegou e entrou.
Ele também notou os lençóis ali deixados, enquanto que o lenço que cobrira a face de Jesus
estava dobrado, e colocado em outro lado.”

Isto é importante? Definitivamente sim! Isto é significante? Certamente que sim!

Para poder entender a significância do lenço dobrado se faz necessário que entendamos um pouco
a respeito da tradição Hebraica daquela época. O lenço dobrado tem que a ver com o Amo e o Servo, e
todo menino Judeu conhecia essa tradição.
Quando o Servo colocava a mesa de jantar para o seu Amo, ele buscava ter certeza em fazê-lo exatamente
da maneira que seu Amo queria. A mesa era colocada perfeitamente, e o Servo esperava, fora da visão do Amo,
até que o mesmo terminasse a refeição.
O Servo não podia se atrever, nunca, a tocar na mesa antes que o Amo tivesse terminado a sua refeição.

Diz a tradição que: ao terminar a refeição, o Amo se levantava, limpava os dedos, a boca e sua barba, e embolava
o lenço e o jogava sobre a mesa. Naquele tempo o lenço embolado queria dizer: "Eu terminei".
No entanto, se o Amo se levantasse e deixasse o lenço dobrado ao lado do prato, o Servo jamais ousaria tocar na mesa
porque, o lenço dobrado queria dizer:
"Eu voltarei!" 
___________________________________________

Linda Reflexão não acham?Sempre é bom lembrar que Ele,o Cristo prometeu voltar....
Vamos Vigiar e Orar sempre...

sábado, 3 de agosto de 2013

Ama-me assim como és

Eu, teu Deus, conheço a tua miséria, as lutas e as tribulações da tua alma, a fraqueza e as enfermidades do teu corpo: conheço a tua covardia, os teus pecados, as tuas falhas: apesar disso, eu te digo:"dá-me teu coração, ama-me assim como és".

Se esperares tornar-te um anjo para entregar-te ao amor, jamais me amarás. Apesar das tuas frequentes recaídas nas faltas que gostarias nunca ter conhecido, apesar da tua covardia na pratica da tua virtude, não permitirei  que não me ames.

Ama-me assim como és. A cada instante e em qualquer situação que estejas, no fervor ou na frieza, na fidelidade ou na infidelidade.

Ama-me assim como és, quero o amor do teu indigente coração. Se, para amar-me esperas ser perfeito, nunca me amarás.

Deixa-me amar-te meu filho, eu quero o teu coração. Espero formar-te mas, enquanto isso, amo-te assim como és. Gostaria que fizesses o mesmo: Gostaria de ver, do fundo da tua miséria, elevar-se o amor. Amo em ti até mesmo a tua fraqueza. Indigência, se eleva sempre esse grito: Senhor, eu te amo! O que me importa é o teu coração  que canta. Para que quero eu a tua ciência, os teus talentos não são as tuas virtudes que te peço, se as recebesses de mim, como és logo o teu orgulho se meteria. Não te preocupes com isso.

Eu poderia ter-te destinado  grandes coisas. Mas não, serás o servo inútil: tirarei até o pouco  que tens, pois eu te criei para o amor. Ama! O amor te levara a fazer todo o resto, sem que percebas: procura apenas preencher o momento presente com o teu amor.

Hoje, estou diante da tua porta do teu coração como um mendigo, eu, o senhor dos senhores.

Bato e espero, apressa-te para abrir, não invoca a tua miséria como desculpa. Se conhecesses plenamente a tua indigência, morrerias de dor. A única coisa que poderia me ferir seria te ver duvidar e não ter confiança.

Quero que penses em mim a cada hora do dia  e da noite, não quero que o mais insignificante de teus atos tenha outro motivo que  não o amor.

Quando tiveres de sofrer, eu te darei as forças. Deste-me o amor, eu te farei o amar muito além de tudo que podes sonhar. Mas lembra-te “assim como tu és”. Não espere ser um santo para te entregar ao amor, senão jamais amarás.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não passarão."


Os versículos 28-32 do capítulo 13 do Evangelho de Marcos procuram responder ao quando acontecerá a vinda do Filho do Homem. A metáfora da figueira mostra, por um lado, que o Reino já está presente na vida da comunidade. Mas, para isso, é necessário discernir essa presença nos sinais e nos acontecimentos da história. Por outro lado, mostra a proximidade do Fim enquanto salvação para os eleitos. Os ramos da figueira que começam a ficar verdes, as folhas que brotam são sinal de que o verão está próximo: os acontecimentos da história, os conflitos que apertam e inquietam a comunidade cristã são sinais de que o Reino já está chegando. É por meio deles que Deus vai conduzindo seu projeto e a própria história para um rumo novo.

A tarefa da comunidade e dos cristãos não é a de prender-se aos sinais sem deduzir deles a necessidade da prática que leve à criação do mundo novo.


Os sinais são passageiros, mas a palavra de Deus permanece. É isto que Cristo quis dizer quando proferiu a frase que é título desse artigo.


Sequer é tarefa da comunidade especular sobre o fim dos tempos. Jesus deixa bem claro que “quanto ao dia e à hora, ninguém sabe, nem os anjos do céu, nem o Filho (que deverá vir), mas somente o Pai.”


Em resumo, Marcos quis inculcar nos catecúmenos (e também em nós) o desinteresse pela especulação a respeito do fim dos tempos. Os sinais catastróficos (da natureza ou provocados pela ação iníqua das pessoas não são o fim em si; denotam simplesmente que o Reino e sua consumação estão em curso. A esperança que nasce do texto de Marcos é que Deus salvará seus eleitos e julgará os que combateram o projeto divino de liberdade e vida. Daí nasce a urgência do compromisso, que passa pelo discernimento em vista da construção do mundo novo.


Que cada um de nós saiba captar em seu raciocínio e em seu coração estas Palavras que, antes de ser uma advertência, são um convite ou mesmo uma convocação
.

 Padre Wagner Augusto Portugal
Fonte

sábado, 19 de maio de 2012

ASCENSÃO: "Olhar o Divino para Descobrir o Humano"

“contemplar o céu para comprometer-se com o mundo”

“A maior consolação que descobrira era contemplar o céu e as estrelas. Fazia-o muitas vezes e por muito tempo, porque com isto sentia em si um grande desejo para servir a Nosso Senhor” (S. Inácio)
“Ressurreição”, “Ascensão”, “sentar-se à direita de Deus”, “envio do Espírito”, são todas realidades pascais. Em todas elas queremos expressar a mesma verdade: o final “deste Homem” Jesus, não foi a morte, mas a Vida. O mistério pascal é tão rico que não podemos abarcá-lo com uma única imagem; por isso temos que desdobrá-lo para ir aprofundando calmamente e expressá-lo no nosso modo de viver o seguimento de Jesus.

Os três dias para a Ressurreição, os quarenta dias para a Ascensão, os cinquenta dias para a vinda do Espírito, não são tempos cronológicos, mas teológicos. Eles nos revelam a maneira de ser de Deus, não o tempo em que Ele atua.
 Hans-Suess-von-Kulmbach
A Ascensão nos faz refletir sobre um aspecto do mistério pascal. Trata-se de descobrir que a posse da Vida por parte de Jesus é total. Participa da mesma Vida de Deus e, portanto, está no mais alto do “céu”. Nem Mateus, nem Marcos, nem João, nem Paulo, mas somente Lucas, no final de seu Evangelho e, mais detalhadamente, no começo dos “Atos dos Apóstolos”, narra a Ascensão como um fenômeno constatável pelos sentidos.

Lucas, em seu Evangelho, põe todas as aparições e a Ascensão no mesmo dia. No entanto, nos Atos dos Apóstolos, ele fala de quarenta dias de permanência de Jesus com seus discípulos, provavelmente como um modo de indicar que eles haviam recebido a formação necessária para levar adiante a missão (“quarenta dias” com o mestre era o tempo que o discípulo precisava para alcançar uma preparação adequada).

Ao mistério da Ascensão corresponde o mistério da Kénosis (esvaziamento) do Verbo; o Deus que se despojou de sua glória e majestade e se fez homem, agora é elevado aos céus e com Ele toda a humanidade redimida e divinizada. Em Cristo, a humanidade inteira já se encontra envolvida por Deus; em Cristo, céu e terra se encontram. Celebrando a glorificação de Cristo, tomamos consciência de nossa própria vocação à glória. Ao celebrarmos a entrada de Jesus na glória, não celebramos uma despedida, mas um novo modo de presença; celebramos que Ele é, realmente, o Emanuel, o Deus-conosco para sempre.

No Evangelho de Marcos, a despedida de Jesus é descrita com singeleza; não produz tristeza, mas alegre confiança, enquanto os discípulos se preparam na oração para assumir a missão. Ao partir para o Pai, Jesus não nos abandona, pois realizou uma comunhão definitiva com a humanidade, garantindo a ela um destino de plenitude. Ele subiu ao céu para abrir-nos o caminho, mas agora é o Espírito aquele  que nos move e nos conduz ao Pai. Cabe a nós, agora, esforçar-nos em fazer o nosso êxodo, sob a ação do mesmo Espírito e confiantes na fidelidade de Deus. 

A Ascensão de Cristo ao céu nos torna encarregados da missão à qual Ele, em sua glória, preside. Nós é que devemos reinventá-la a cada momento.

Portanto, a Ascensão de Jesus marca o início de nossa missão, ou seja, um novo modo de presença no mundo. Viver com os olhos voltados para o Senhor glorioso não nos dispensa de estar com os dois pés no chão, afundados na terra da história. Na dinâmica do Tempo Litúrgico, após uma longa e criativa caminhada com Jesus, a liturgia nos faz “desaparecer em Deus” , como o Cristo da Ascensão “desapareceu em Deus”. Não há mais nada a não ser Deus. A Ascensão é abertura para o cotidiano, para a realidade do serviço. É preciso partir e viver o chamado do Mestre ao longo da experiência.

Na Ascensão, enquanto Jesus “sobe” ao Pai, nós “descemos”  à realidade para transformá-la, tornando presente o Reino. Quando amamos, cuidamos, servimos... nos elevamos. O que nos eleva está em nosso interior. E nos elevamos à medida que descemos em direção à humanidade. Essa Ascensão não pode ser feita às custas dos outros, senão servindo e cuidando de todos. Como Jesus, a única maneira de alcançar a meta é descendo até o mais fundo. Aquele que mais desceu, é o que mais alto subiu.

A Ascensão é o lugar onde vai acontecer uma mudança profunda na vida de cada seguidor de Jesus: partimos para a missão; deixamos a Terra Santa, como os Apóstolos, e até o fim da vida seremos os peregrinos de Cristo. Somos arrancados de tal experiência para adentrar-se em um caminho de seguimento de horizontes desconhecidos, mas centrados no compromisso apostólico da missão na e da Igreja.

“Passamos” da particularidade de um lugar para a universalidade da missão. O desejo de seguir e servir a Cristo abarca o mundo todo. Nossa meta, como a de Jesus, é ascender até o mais alto, o Pai. Mas tendo em conta que nosso ponto de partida é também, como no caso de Jesus, o mesmo Deus. Muitas vezes preferimos seguir um Jesus no “céu”. Descobri-lo dentro de si mesmo, nos outros e no mundo é demasiado exigente e comprometedor. Muito mais cômodo é continuar olhando para o céu... e não sentir-se implicado naquilo que está acontecendo ao nosso redor.

A festa da Ascensão nos revela que vivemos o “tempo do Espírito”, tempo de criatividade, de ousadia, de novidade... O Espírito não proporciona aos seguidores de Jesus “receitas eternas”. Por isso, não podemos ficar olhando para cima. O Espírito nos dá luz e inspiração para voltar a cabeça para a realidade, buscando caminhos sempre novos para prosseguir hoje a missão de Jesus. Torna-se necessário descruzar os braços, deixar de olhar passivamente para o céu e, com os pés plantados no chão, prosseguir a obra iniciada por Jesus.

O mistério da Ascensão nos sensibiliza e nos capacita para aproximar-nos do nosso mundo com uma visão mais contemplativa. O “subir” até Deus passa pelo “descer” até às profundezas da humanidade. A pessoa contemplativa, movida por um olhar novo, entra em comunhão com a realidade tal como ela é. Ascensão nos convida a olhar o mundo como “sacramento de Deus”. Um olhar capaz de descobrir os sinais de esperança que existem no mundo; um olhar afetivo, marcado pela ternura, pela compaixão e por isso gerado de misericórdia; um olhar que compromete solidariamente.

Enfim, a celebração do mistério da Ascensão nos impulsiona, ao mesmo tempo, para Deus e para o mundo. Paixão por Deus e paixão pelo mundo. Podemos assim estar sempre enraizados firmemente em Deus e, ao mesmo tempo, imersos no coração do mundo. O cristão é tão familiar com Deus que admira e se encanta com a variedade e a multiplicidade do mundo, e não teme o mundo com toda sua complexidade. Ao mesmo tempo, é tão familiar com o mundo que sente o Espírito de Deus que trabalha em todos os lugares e da maneira mais inesperada. “Fora do mundo não há salvação” (E. Eschillebeeckx).

Textos bíblicos:  Marcos 16,15-20   Atos 1,1-11   Efésios 1,17-23

Na oração:  Que nossa ascensão seja: romper as cadeias de injustiça e morte; derrubar toda parede e muro; ir pela vida como samaritano; mostrar os caminhos ascendentes; oferecer razões de esperança; despertar o instinto criativo; interpretar os sinais dos tempos; pôr o coração nas estrelas...


Pe. Adroaldo Palaoro sj
Coordenador do Centro de Espiritualidade Inaciana

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Quarta Feira de Cinzas

 "Convertei-vos e acreditai no evangelho", ou: "Recorda-te que és pó e em pó te hás-de tornar".
Precisamente devido à riqueza dos símbolos e dos textos bíblicos, a Quarta-Feira de Cinzas é considerada a "porta" da Quaresma. De fato, a hodierna liturgia e os gestos que a distinguem formam um conjunto que antecipa de modo sintético a própria fisionomia de todo o período quaresmal. Na sua tradição, a Igreja não se limita a oferecer-nos a temática litúrgica e espiritual do itinerário quaresmal, mas indica-nos também os instrumentos ascéticos e práticos para o percorrer frutuosamente.Não hesitemos em reencontrar a amizade de Deus perdida com o pecado; encontrando o Senhor experimentamos a alegria do seu perdão. E assim, quase respondendo às palavras do profeta, fizemos nossa a invocação do refrão do Salmo 50: "Perdoai-nos Senhor, porque pecamos". Proclamando, o grande Salmo penitencial, apelamo-nos à misericórdia divina; pedimos ao Senhor que o poder do seu amor nos volte a dar a alegria de sermos salvos."Convertei-vos a mim de todo o vosso coração com jejuns, com lágrimas, com gemidos". (Joel 2,12). Os sofrimentos, as calamidades que afligiam naquele tempo a terra de Judá estimulam o autor sagrado a encorajar o povo eleito à conversão, isto é, a voltar com confiança filial ao Senhor dilacerando o seu coração e não as vestes. De fato, recorda o profeta, ele "é clemente e compassivo, paciente e rico em misericórdia e se compadece da desgraça" (2, 13). O convite que Joel dirige aos seus ouvintes também é válido para nós.Com este espírito, iniciamos o tempo favorável da Quaresma, como nos recordou São Paulo: "Aquele que não havia conhecido o pecado, diz ele, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus" (2 Cor 5, 21), para nos deixarmos reconciliar com Deus em Cristo Jesus. O Apóstolo apresenta-se como embaixador de Cristo e mostra claramente como precisamente através d'Ele, seja oferecida ao pecador, isto é a cada um de nós, a possibilidade de uma reconciliação autêntica.
Só Cristo pode transformar qualquer situação de pecado em novidade de graça. Eis por que assume um forte impacto espiritual a exortação que Paulo dirige aos cristãos de Corinto: "Em nome de Cristo suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus"; e ainda: "Este é o tempo favorável, é este o dia da salvação" (5, 20; 6, 2). Enquanto Joel falava do futuro dia do Senhor como de um dia de terrível juízo, São Paulo, referindo-se às palavras do profeta Isaías, fala de "momento favorável", de "dia da salvação". O futuro dia do Senhor tornou-se o "hoje". O dia terrível transformou-se na Cruz e na Ressurreição de Cristo, no dia da salvação. E este dia é agora, como nos diz o Canto ao Evangelho: "Hoje não endureçais os vossos corações, mas ouvi a voz do Senhor". O apelo à conversão, à penitência ressoa hoje com toda a sua força, para que o seu eco nos acompanhe em cada momento da vida.
A liturgia da Quarta-Feira de Cinzas indica assim na conversão do coração a Deus a dimensão fundamental do tempo quaresmal. Esta é a chamada muito sugestiva que nos vem do tradicional rito da imposição das cinzas, que daqui a pouco renovaremos. Rito que assume um dúplice significado: o primeiro relativo à mudança interior, à conversão e à penitência, enquanto o segundo recorda a precariedade da condição humana, como é fácil compreender das duas fórmulas diversas que acompanham o gesto.
"Procurai o mérito,procurai a causa, procurai a justiça; e vede se encontrais outra coisa que não seja a graça de Deus ".(Santo Agostinho)

ORAÇÃO, JEJUM E ESMOLA: O DINAMISMO DE UMA VIDA "ORDENADA"


Quaresma é tempo favorável para ordenar a própria vida na direção do sonho de Deus para toda a humanidade. Para que este processo de ordenamento aconteça, o tempo litúrgico quaresmal nos convida a “considerar” as nossas relações vitais: com Deus, com os outros, com o mundo e consigo mesmo.

No Evangelho fala-se das “práticas quaresmais” da oração, esmola e jejum, onde nossas relações são iluminadas e questionadas pelo modo de proceder de Jesus. Que sentido tem, para nossa cultura, estes três gestos que são propostos para uma vivência fecunda da Quaresma?
Em primeiro lugar, são três gestos que nos humanizam e tornam a vida mais leve e com sentido; eles condensam o sentido da vida cristã. A vida é um abrir-se aos demais (esmola), um manter-se no mistério de Deus (oração) e ser capaz de ordenar e dirigir a própria existência (jejum).

É preciso criar espaço novo no coração e na mente, para que coisas novas aconteçam.
Vividos a partir da identificação com Jesus Cristo, os valores da oração, da esmola e do jejum podem nos aproximar dos pobres e excluídos; mover-nos de compaixão e misericórdia; exercitar-nos na prática do bem e da bondade; acolher o outro com sinceridade; perdoar gratuitamente; cuidar com ternura e admiração; mergulhar no mistério de cada coisa; deixar-nos envolver pela graça e permitir que o amor circule em nós e no mundo, gerando vida em abundância. Trata-se de um “modo de proceder” permanente.



Oração: oração em tempos de tecnologia e de rapidez parece algo sem sentido.
No entanto, a oração nos ajuda a buscar sentido em todas as experiências, pois ela nos aproxima da simplicidade e da ternura. Ou seja, a oração torna o coração mais dócil, fazendo-nos mais humanos e, por isso, mais próximos de Deus. A oração é uma mão estendida para o divino; não é dobrar a vontade de Deus a nosso favor; pelo contrário, é colocar-nos em sintonia com Deus, para entendermos o que é melhor para nosso verdadeiro bem. É deixar Deus ser Deus, ou seja, revelar sua paternidade e maternidade com cada um de nós.

Orar é sentir-nos participantes da riqueza divina e de seus dons. É sentir-nos agraciados e plenos de sentido do infinito, tirando-nos da mesmice e do vazio. Orar nos molda o coração de acordo com o coração de Deus, nos ajuda a sermos mais irmãos uns dos outros e reforça a certeza de que somos filhos e filhas amados(as) de Deus.



Jejum: o jejum nos humaniza, nos faz descer do pedestal e nos torna mais sensíveis e solidários; fazer jejum tem sentido quando brota da sensibilidade que evita o desperdício, o consumo desenfreado, o esbanjamento e o orgulho. Na linguagem inaciana, jejuar é sair do próprio amor, querer e interesse, ou seja, viver na simplicidade de quem renuncia a um “EU” enorme por um “mundo diferente”.

Jejuamos para crescer; jejuamos para recordar que as “coisas” não são um fim, mas um meio; jejuamos como forma de olhar ao redor e recordar que a realidade é muito mais ampla que nossa própria situação. Jejuar não é “deixar de comer”. É aceitar de maneira consciente que nossos desejos, nossas necessidades, nossos interesses, nossas preocupações não são o centro do mundo.

Por isso jejuar pode ser um convite a ordenar a mente, a pacificar o coração, a serenar os olhos, a guardar a língua... Purificar a tendência ao imediatismo, ao falso moralismo, puritanismo e perfeccionismo. Implica também “dar um tempo” à tentação de falar dos outros, destruir sua imagem e diminuir seu valor; “dar um tempo” à tentação de ver apenas a aparência e julgar por ela, de ver sujeira em tudo e não ver a beleza em tantas expressões, de ver somente o errado e não acolher os limites e a boa vontade dos demais. Jejuar os olhos para ver o que alegra o coração. Jejuar é cuidar-se, com simplicidade e veneração, e manter viva a alma (= sempre animados). Por lembrar-nos de nossa precariedade, o jejum pode nos tornar sensíveis ao próprio mistério da vida que somos; é colocar em questão a razão de ser da vida. Para quê vivemos?

Esmola: a palavra “esmola” soa mal. Dá idéia de resto, de poder de uns sobre o nada de outros.
O termo “esmola” deriva do grego “eleéo”, “ter piedade”, cuja forma imperativa “eleéson” figura no “kyrie” do ato penitencial da celebração eucarística. Antes que possamos ter piedade dos outros é Deus quem teve piedade de nós. Precisamente porque brota da piedade divina e se modela sobre ela, a esmola não se reduz a um gesto de ordem apenas material: ela manifesta um ato que indica o fazer-se companheiro de viagem de quantos se encontram em dificuldade, participando na sua situação, com ternura.

O sentido está em oferecer algo de si, importante, significativo. Tem a ver com abertura de coração, sensibilidade e olhos abertos. É resultado de uma atenção permanente e ativa, que vai ao encontro do outro, que toma iniciativa, que se comove. É um estímulo a superar o assistencialismo, que mantém as diferenças, sustenta a dependência e não promove a cidadania. Provoca-nos à solidariedade e ao espírito de compaixão, nos move ao serviço, à presença-qualidade, ao voluntariado, à prática do bem e da justiça.



Textos bíblicos: Lc. 11,1-12; Is. 58,1-12; Lc. 12,22-34 


Fonte:P. Adroaldo Palaoro, S.J.
Reitor do Colégio dos Jesuítas
Juiz de Fora – M.G.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

O carnaval santificado



“Guarde a fé ao teu amigo na sua pobreza, para que também te alegres com ele nas suas riquezas”(Eclo 22,28).



. Por este amigo, a quem o Espírito Santo nos exorta a sermos fiéis no tempo da sua pobreza, podemos entender Jesus Cristo, que especialmente nestes dias de carnaval é deixado sozinho pelos homens ingratos e como que reduzido à extrema penúria. Se um só pecado, como dizem as Escrituras, já desonra a Deus, o injuría e o despreza, imagina quanto o divino Redentor deve ficar aflito neste tempo em que são cometidos milhares de pecados de toda a espécie, por toda a condição de pessoas, e quiçá por pessoas que lhe estão consagradas. Jesus Cristo não é mais susceptível de dor; mas, se ainda pudesse sofrer, havia de morrer nestes dias desgraçados e havia de morrer tantas vezes quantas são as ofensas que lhe são feitas.
É por isso que os santos, afim de desagravarem o Senhor um pouco de tantos ultrajes, aplicavam-se no tempo de carnaval, de modo especial, ao recolhimento, à penitência, à oração, e multiplicavam os atos de amor, de adoração e de louvor para com o seu Bem-Amado. No tempo de carnaval Santa Maria Madalena de Pazzi passava as noites inteiras diante do Santíssimo Sacramento, oferecendo a Deus o sangue de Jesus Cristo pelos pobres pecadores. O Bem-aventurado Henrique Suso guardava um jejum rigoroso afim de expiar as intemperanças cometidas. São Carlos Borromeu castigava o seu corpo com disciplinas e penitências extraordinárias. São Filipe Neri convocava o povo para visitar com ele os santuários e exercícios de devoção. O mesmo praticava São Francisco de Sales, que, não contente com a vida mais recolhida que então levava, pregava ainda na igreja diante de um auditório numerosíssimo. Tendo conhecimento que algumas pessoas por ele dirigidas se relaxavam um pouco nos dias de carnaval, repreendia-as com brandura e exortava-as à comunhão frequente.
Numa palavra, todos os santos, porque amaram a Jesus Cristo, esforçaram-se por santificar o mais possível o tempo de carnaval. Meu irmão, se amas também este Redentor amabilíssimo, imita os santos. Se não podes fazer mais, procura ao menos ficar, mais do que em outros tempos, na presença de Jesus sacramentado, ou bem recolhido em tua casa, aos pés Jesus crucificado, para chorar as muitas ofensas que lhe são feitas.
II. “Para que te alegres com ele nas suas riquezas”. O meio para adquirires um tesouro imenso de méritos e obteres do céu as graças mais assinaladas, é seres fiel a Jesus Cristo em sua pobreza e lhe fazeres companhia neste tempo em que é mais abandonado pelo mundo. Oh, como Jesus agradece e retribui as orações e os obséquios que nestes dias de carnaval lhe são oferecidos pelas almas suas prediletas!
Conta-se na vida de Santa Gertrudes que certa vez ela viu num êxtase o divino Redentor que ordenava ao Apóstolo São João escrevesse com letras de ouro os atos de virtude feitos por ela no carnaval, afim de a recompensar com graças especialíssimas. Foi exatamente neste mesmo tempo, enquanto Santa Catarina de Sena estava orando e chorando os pecados que se cometiam na quinta-feira gorda, que o Senhor a declarou sua esposa, em recompensa (como disse) dos obséquios praticados pela Santa no tempo de tantas ofensas.
Amabilíssimo Jesus, não é tanto para receber os vossos favores como para fazer coisa agradável ao vosso divino Coração, que quero nestes dias unir-me às almas que Vos amam, para Vos desagravar da ingratidão dos homens para convosco, ingratidão essa que foi também a minha, cada vez que pequei. Em compensação de cada ofensa que recebeis, quero oferecer-Vos todos os atos de virtude, todas as boas obras, que fizeram ou ainda farão todos os justos, que fez Maria Santíssima, que fizestes Vós mesmo, quanto estáveis nesta terra. Entendo renovar esta minha intenção todas as vezes que nestes dias disser: Meu Jesus, misericórdia. – Ó grande Mãe de Deus e minha Mãe Maria, apresentai vós este humilde ato de desagravo a vosso divino Filho, e por amor de seu sacratíssimo Coração obtende para a Igreja sacerdotes zelosos, que convertam grande número de pecadores.